Agora,
novidade pra mim foi encontrar o Homem meia-bomba. Talvez seja uma coisa
que estivesse em extinção desde a época em que se apresentavam pessoas por
missivas, leia-se cartas, e que de certo modo voltou à moda com o advento da
internet.
Você
nunca viu o cara, nem ele te viu, mas foi com a cara da tua foto, acreditou nas
palavrinhas que você copiou da Clarice Lispector ou embelezou pra pôr lá te
‘definindo’, como se isso fosse possível.
Cruzou
contigo num site de relacionamento ou discutiu algum assunto polêmico no Orkut
ou viu teu blógue e pronto, estabeleceu-se um novo tipo de conexão – que
não surgiu de um olhar, de um toque, mas de algo muito mais subjetivo,
normalmente seguindo-se a isso uma intensa troca de e-mails de conteúdo idem.
Ah, e
flores – acompanhadas de um cartão inteligente, divertido, escrito decentemente
e sem erros de ortografia; umas orquídeas lindas. O único problema é que a
floricultura ficava na Tijuca – ah, ran, eu não gosto da Tijuca (bairro da zona
norte aqui do Rio).
Não estou
aqui pra falar de namoricos virtuais, eu não acredito nisso; sou que nem São Tomé, na
maioria das coisas desta vida, só creio vendo (e usando todos os outros 5
sentidos aqui, incluindo o sexto, óficorse).
E-mail
sedutor pra lá, e-mail sedutor pra cá. Alguma enrolação até pegar uma ou outra
referência – porque mesmo que não adiante nada te dá uma falsa sensação de
segurança (que é o máximo que se pode esperar da vida, e principalmente, da
vida no Rio de Janeiro).
Você sai
uma vez…
O papo
rola bacana e você pensa que não deve ser nenhuma baranga, porque afinal de
contas o bonitão te leva pra passear em lugares legais e ainda paga a conta
[mesmo que você se ofereça pra pagar].
No final,
acontece alguma coisa? Necas. Nem uma tentativa de beijo. Okey, você pensa,
ele não me achou ‘pegável’, vou beber uns 3 chopes por conta e ficar 15 minutos
a mais todo o dia na academia. Next!
Ficou babando...
Ledo
engano, dias ou
horas depois, surpresinha!, “Tem mensagem pra você!”. O sujeito te manda um
torpedo, um e-mail, telefona, enfim, faz alguma coisa pra dar o recado de que
foi legal estar com você, brincar com você e coisa tal. Daí você pensa, “Ah,
que fófis, um babaca gentil!” pelo menos. [Os caras que não tentam sempre,
sempre, sempre são babacas, anotem isso aí.]
Mas não,
ele quer combinar de sair de novo (Oh!). Em segundos o seu pensamento evolui
para “um lerdo gentil ou um caretão das antigas”, já que mulher é idiota mesmo,
e a gente sempre dá crédito a vocês que não merecem. Fica toda caidinha de
novo – ainda bem que apaixonada mesmo ainda não está, porque o cara não te
pegou e você não sabe nem se ele beija direito e com língua.
Marca-se
tudo de novo, depois da tradicional lenga-lenga de mensagens ou telefonemas de
ambas as partes a sugestões para o próximo encontro, porque o Homem meia-bomba
que se acha gosta de elucubrar em e-mails, escrever piadas inteligentes, fazer
algum mistério [até em mensagens SMS] e colocar um charme extra na sua imagem
mandando mensagens subliminares dizendo “eu sou o fodão do universo”.
Já meio
puta da vida, você se arrisca a sair com o cara pela segunda vez… e tudo como
era antes no quartel de Abranches. Nadica de nada. E ele pagou a conta
outra vez.
Depois de
queimar uma meia dúzia de neurônios com o assunto, você, frustradíssima, a estas
alturas já pegou seu caderninho de telefones, foi pra night e deu uns beijos na
boca pra aliviar a tensão, óficorse. E é então que você consegue juntar lé com
cré.
O cara
continua se comportando da mesma forma, provocando daqui, de lá, vocês se falam,
se encontram, mas ação que é bom, nada.
Lindo,
inofensivo e broxante.
Minha
única explicação possível tornou-se O Homem meia-bomba que se acha. Ele espera
que você mande e-mails, torpedos, se ajoelhe aos pés dele e fique orbitando ao
seu redor. O cara quer IBOPE, não quer te comer. Quer que você fique lá,
como se não tivesse coisa nenhuma pra fazer a não ser encher a bola dele.
Precisa se achar a rosa listrada furta-cor e dourada do deserto da Babilônia.
Problemas de auto-estima, pinto pequeno ou
brocha ou ambos, e viadice não assumida mesmo são algumas das hipóteses. Pra
mim, homem que é homem, tira algum proveito antes e posa de gostoso depois.
Como diz uma amiga muito querida, isso é coisa de Kichute que no fundo, no
fundo é Melissinha. E não?Definitivamente, essa particularidade feminina de querer entender coisas nos faz perder um tempo danado.